140 views | Destaque | Atualizado em: 02/08/2017

Comprovados pagamentos a Jader Barbalho

Colunista de “Veja” publicou extratos de depósitos feitos por Jorge Luz no exterior

Reportagem publicada ontem (1º) no site da revista “Veja”, pelo jornalista Maurício Lima, da coluna Radar On-line, revela que o lobista e doleiro Jorge Luz e seu filho, Bruno, entregaram ao juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal do Paraná, extratos bancários de contas no exterior que receberam pagamentos de propinas por empreiteiras favorecidas pela Petrobras. O dinheiro foi usado pelos lobistas para pagamentos de propinas aos caciques do PMDB: Jader Barbalho (PMDB-PA) e Renan Calheiros (PMDB-AL).

Desde 2015, Barbalho está no centro das investigações da operação Lava Jato. Na época, o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró – preso desde janeiro daquele ano – afirmou em delação premiada que pagou propina de US$ 6 milhões a Jader e a Renan Calheiros (PMDB-AL), no ano de 2006. Naquela ocasião, Ceveró apontou Jorge e Bruno Luz como os operadores financeiros. Na colaboração premiada, Cerveró contou que Jader chegou a promover jantares em sua casa para tratar de pagamento e festejar acordo. Em outro momento, Ceveró voltou a citar Jader como um dos beneficiados no pagamento de propina de US$ 15 milhões referente à negociação da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Deste montante, ao menos US$ 2 milhões foram parar nas mãos de Jader e de Renan Calheiros.

As suspeitas resultaram na abertura de inquéritos contra o senador paraense. Jader Barbalho responde a sete inquéritos atualmente (2909, 3993, 4034, 4171, 4172, 4267 e 4326) no Supremo Tribunal Federal. Os crimes são diversos, e vão desde crime contra a ordem tributária até corrupção passiva, calúnia e difamação, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Outro personagem de peso das investigações da Lava-Jato, que afundou ainda mais o nome de Jader Barbalho, foi o ex-senador cearense Sérgio Machado (PMDB). Machado revelou, na sua delação, que Jader foi um dos agraciados, junto a Renan, Sarney, Jucá e Lobão, na bolada de R$ 70 milhões em propina, que ele mesmo amealhou quando presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras no setor de transportes.

Considerando todas as delações premiadas no âmbito da Operação Lava-Jato, o nome de Jader Barbalho foi citado pelos menos 20 vezes, com estimativa de já ter recebido, segundo os depoimentos, até o momento, mais de R$ 35 milhões em propina.

Recentemente, o diretor de relações institucionais da JBS, Ricardo Saud, disse que Jader Barbalho recebeu o repasse de uma conta criada a partir das tratativas com o ex-ministro Guido Mantega para que fossem levados à coligação do PT em 2014. O repasse foi de R$ 8,98 milhões, sendo que R$ 6 milhões, segundo o delator, foi, exclusivamente, para “comprar” o apoio dele à reeleição de Dilma Rousseff, e R$ 2,98 milhões para a campanha ao governo do Estado do Pará do seu filho, o ministro Helder Barbalho – também mencionado em diversas acusações de recebimento de propina, inclusive, com um inquérito já aberto no STF.

Jader Barbalho também foi citado nas investigações que envolvem no esquema criminoso de corrupção e lavagem de dinheiro da Odebrecht. Em março do ano passado, a Polícia Federal revelou uma lista encontrada na casa do presidente da Oderbrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa Júnior (BJ), que seria uma espécie de contabilidade paralela da empreiteira. Conforme essa planilha, Barbalho teria recebido dois pagamentos em 2010, totalizando quase meio milhão de reais. O mesmo delator detalhou no início desse ano o pagamento de R$ 12,7 milhões para políticos defenderem privatizações e parcerias público-privadas (PPPs) na área de infraestrutura. De acordo com essa lista, Jader Barbalho surge como segundo maior beneficiado, com R$ 1 milhão em supostos repasses via caixa 2.

As acusações deflagradas ontem pela imprensa nacional, com base na delação premiada e documentos apresentados pelo lobista Jorge Luz – paraense com estreita relação com os Barbalhos -, já tinham sido detalhadas há duas semanas pelo Jornal Nacional, da Rede Globo. Segundo o depoimento, o doleiro repassou propina aos senadores Jader Barbalho e Renan Calheiros, ao deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE), e a Silas Rondeau, que foi ministro de Minas e Energia no governo Lula. Jorge Luz admitiu ter intermediado pagamentos de propina que tiveram origem em contratos da Petrobras para navios-sonda. Ele afirmou que R$ 11,5 milhões foram destinados diretamente a esses políticos.

Em trechos desse depoimento veiculado pela TV, Luz afirma que os pagamentos foram parcelados e começaram em 2006, e que esses políticos receberam a propina para apoiar a permanência dos então diretores da Petrobras Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa nos cargos. “Havia um pedido alto para que, se houvesse esse apoio, o apoio se traduziria numa ajuda financeira, e se traduziria também na oportunidade de que esses políticos pudessem participar de algumas operações que viessem a surgir no decorrer do tempo”, diz.

Jorge Luz afirmou que os R$ 11,5 milhões foram depositados em uma conta na Suíça, a Headliner, indicada pelo deputado Aníbal Gomes. O operador afirmou que a conta não estava em nome de nenhum dos políticos do PMDB, mas disse que o dinheiro chegou até eles. “Bem, esse dinheiro foi pago integralmente a esses políticos, não teve participação de ninguém”, explicou Jorge Luz. “Essa conta é do PMDB, pra mim, Aníbal, Renan, Jader”, completou.

O operador afirmou que soube que o dinheiro foi distribuído aos políticos durante um encontro. “Sei, porque participei inclusive da reunião de agradecimento. Ao final, o Jader disse o seguinte: ‘Vocês cumpriram o papel de vocês, agora o problema é nosso!’. Jader Fontenelle Barbalho, Renan Calheiros, Aníbal Gomes, Silas Rondeau, esses são os agentes políticos, sim”, garantiu.

Por: O Liberal

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