36 views | Destaque | Atualizado em: 29/11/2017

Luta mundial contra a malária estagnou

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que em 2016 o número de casos de malária aumentou significativamente: mais cinco milhões do que em 2015, ainda que o total de mortes tenha sido semelhante, rondando as 445 mil.

Os números constam do relatório de 2017 sobre a doença, documento que a OMS acaba de divulgar. A principal conclusão é o facto de a luta contra a malária (paludismo) ter estagnado, depois do grande sucesso obtido entre os anos de 2000 e 2015, período em que as mortes baixaram 60%. “Estamos num ponto de viragem. Sem ação urgente, corremos o risco de retroceder e não alcançar os objetivos estabelecidos para 2020”, que incluíam reduzir a incidência da doença e da mortalidade em 40%, alerta o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

O principal obstáculo, explica a instituição, reside no insuficiente financiamento. Em 2016 foi disponibilizado um orçamento mundial de 2700 milhões de euros (um pouco menos de 2300 milhões de euros), verba que se mantém praticamente inalterada desde 2010. Ghebreyesus sublinha que para atingir as metas definidas seria necessário aumentar a dotação em 6500 milhões de dólares anuais (5470 milhões de euros), única forma de conseguir “mais recursos e ferramentas”.

Em números exatos, o relatório mostra que foram registados 216 milhões de casos de malária em 91 países, mantendo-se a região de África como a mais preocupante e a que requer intervenção prioritária (90% dos casos e das mortes aconteceram aí). Os totais podem ser “conservadores”, admite a OMS, antecipando que a revisão do método de contabilização, prevista para o próximo ano, e considerando os sistemas de vigilância em África, os totais podem ser “bem mais preocupantes” no próximo relatório.

Há, ainda assim, boas notícias. Em 2016, foram 44 os países a reportar menos de 10 mil casos (foram 37 em 2015), além de – pelo segundo ano consecutivo – a Europa continuar a ser uma região livre da doença. Mesmo em África, alguns países conseguiram alcançar “melhorias impressionantes” no que toca aos índices de sobrevivência à malária. Noutros houve uma signifcativa redução da sua incidência, casos de Madagascar, Zimbabwe, Etiópia e Gâmbia.

Motivos de otimismo são ainda a verificação de que a temida resistência dos mosquitos aos inseticidas e a do parasita que a causa aos antibióticos não estão a comprometer a eliminação da doença, contando os agentes no terreno com a ajuda da introdução de uma vacina. Acontecerá nos próximos anos, a começar no Gana, Quénia e Malawi, e apesar de a sua eficácia se ter revelado modesta nos ensaios clínicos realizados, é mais um instrumento a favor do combate contra a malária.

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