221 views | Destaque | Atualizado em: 18/08/2017

Maquete de Belém é convite para redescobrir a capital paraense

Trabalho delicado, que requer paciência, cuidado e atenção, a maquete tridimensional dos dois primeiros bairros da cidade de Belém vai sendo construída e montada na sede do Fórum Landi, no bairro da Cidade Velha. A iniciativa do Fórum Landi, da Universidade Federal do Pará, tem parceria com a Prefeitura de Belém, por meio da Companhia de Desenvolvimento da Área Metropolitana de Belém (Codem), e outras entidades.

A construção da maquete teve início em 2016, momento em que se celebrava os 400 anos de fundação de Belém. Composta em escala de 1:250 mil, a estrutura tem 35 metros quadrados, ou seja, 7 x 5 metros, e abrange os bairros da Cidade Velha e Campina, em uma área que se inicia no Forte do Castelo e chega até a avenida Presidente Vargas e Praça da República, com destaque para importantes monumentos e ruas que datam desde a fundação da cidade em 1616. Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), essa área conhecida como Centro Histórico reúne cerca de 2.800 edificações protegidas, entre palacetes, palácios, praças e sobrados.

O idealizador do projeto da maquete é Aldo Urbinati, arquiteto paraense que mora há 24 anos fora de Belém, por meio do escritório dele – Tupy – com sede em São Paulo e filial em Londres, na Inglaterra. O projeto passou a ser executado no ano passado por cerca de dez profissionais desse escritório, integrantes do Fórum Landi, arquitetos da Codem e alunos de escolas de Arquitetura de Belém, sob coordenação geral do arquiteto Flávio Nassar, diretor do Fórum Landi da UFPA.

Atualmente, o levantamento dos prédios e ruas dos dois bairros já está quase concluído, faltando apenas poucas quadras. O trabalho de levantamento e da construção da maquete em si é feito por cerca de 20 alunos das escolas de Arquitetura e Urbanismo de Belém, como da UFPA, da Universidade da Amazônia (Unama) e da Faculdade Faci, e muitos deles trabalham de forma voluntária no projeto. Todos recebem orientações de profissionais da área de arquitetura da UFPA.

Cartografia – Na fase de levantamento, foram utilizadas plantas baixas da base cartográfica de Belém, cedidas pela Codem. O arquiteto José Akel Fares Filho, da Codem, participou da fase inicial da construção. “Nossa contribuição, além de fornecer a base cartográfica ao projeto, foi de acompanhamento do conceito e da elaboração da maquete. Participamos nas decisões sobre quais prédios históricos deveriam constar na maquete, e também em orientações aos estudantes”, explicou o arquiteto.

O Fórum Landi se dedica à revitalização do Centro Histórico de Belém com pesquisas voltadas para o legado do arquiteto italiano Antonio Landi, que veio morar em Belém e é autor dos projetos de vários prédios históricos da cidade. A ideia do Fórum é que a maquete servirá também como ferramenta para a compreensão da formação da cidade e para estudos de planejamento urbano. “Além de ser uma obra de arte com belos detalhes que revelam a essência da nossa arquitetura, a ideia é que esta maquete seja também instrumento de planejamento urbano e de desenvolvimento do turismo, embasando ações de todos aqueles que buscam estudar e conhecer o centro histórico de Belém”, comenta o arquiteto Flávio Nassar.

“A motivação veio da possibilidade de presentear Belém e oferecer uma contribuição intelectual de valorização e resgate histórico da arquitetura paraense. Por isso, a maquete é atemporal, porque recria edificações e outros espaços já extintos, como por exemplo, a fábrica Palmeira, as famosas caixas d’água da Campina e o Grande Hotel”, pontua Nassar.

Ainda no segmento da atemporalidade, monumentos que nem chegaram a ser construídos também estão retratadas na maquete. “Nos estudos realizados sobre o trabalho de Antônio Landi em Belém foi descoberto o projeto do Arco de Landi, que ficaria localizado em frente ao Palácio do Governo do Pará, mas que nunca foi construído. Pela sua importância histórica, esse monumento consta da maquete”, adianta Nassar.

Trabalho – A efetiva construção da maquete obedece às verdadeiras dimensões topográficas e volumétricas dos prédios e ruas da Cidade Velha e Campina. A partir das plantas da base cartográfica, as quadras vão sendo construídas, com auxílio também do aplicativo Google Earth. A seguir, começa a construção ‘dos prédios’ que são reproduzidos com lâminas bem finas de um material chamado “madeira Balsa”, que lembra um pouco o miriti, só que mais resistente. E assim, as lâminas dessa madeira vão sendo coladas uma a uma, até formar as quadras com os casarões e prédios. A base das ruas e praças é feita com lâminas de isopor sobrepostas e recoberta de massa corrida.

Os prédios históricos mais importantes são recriados com mais detalhes que os casarões das ruas, e a maioria das quadras fica na cor natural da madeira. “Desenhamos as fachadas desses prédios históricos em um programa de computador, depois a imprimimos em acetato. A parte final é fixar esse desenho nas fachadas dos prédios que foram avaliados por sua importância histórica”, explica a estudante de Arquitetura, Bárbara Ferreira, de 19 anos, aluna da Unama, que participa do projeto desde o ano passado.

O trabalho é meticuloso e lento. “Uma quadra da maquete leva em média uma semana para ficar pronta, mas para os prédios, que têm mais detalhes, são necessários de uma a duas semanas”, aponta Bárbara.

O estudante de Arquitetura da UFPA, Sidney Peri, de 20 anos, chegou há pouco tempo ao projeto, mas já tem bastante domínio do trabalho realizado. “Considero que é uma oportunidade única a de participar desse projeto. Essa experiência nos faz enxergar a cidade de outra forma. Quando fazemos o levantamento, percebemos detalhes que nunca tínhamos visto antes. Por outro lado, a montagem da maquete é bem artesanal, e penso que todos os que trabalham na maquete precisam ter essa habilidade, porque a montagem é bastante trabalhosa, mas bem recompensador”, avalia o estudante.

Quando a maquete estiver terminada, vai contar com iluminação artística e recursos tecnológicos que simularão o céu de Belém, em momentos de pleno sol e da famosa chuva, em um trabalho de vídeo mapping, isto é, projeções em vídeo sobre a maquete. Para a fase de finalização da maquete e essa última parte, de automação e iluminação, o Fórum Landi está buscando parceiros para viabilizar os recursos necessários, apesar de ainda não ter um prazo definido para o término da obra. “O trabalho é lento e meticuloso, mas acredito que esteja apronto em 2018”, projeta Flávio Nassar.

Serviço:

Aos domingos, o público pode conhecer a maquete de Belém, no horário das 10 às 17 horas, na sede do Fórum Landi, que fica na Rua Siqueira Mendes, 60, em frente à Praça do Carmo, na Cidade Velha. A entrada é gratuita.

Por: Agência Belém

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