288 views | Esportes | Atualizado em: 19/10/2015

Yago Pikachu era o preferido das sugestões de Aidar

202106Muricy Ramalho e Juan Carlos Osorio tiveram algo em comum como técnico do São Paulo. Os dois antecessores de Doriva fizeram queixas contra a quantidade de jogadores sugeridos por dirigentes, principalmente por Carlos Miguel Aidar. E o ex-presidente, que renunciou ao cargo na semana passada, tinha um atleta entre seus favoritos: o lateral-direito Yago Pikachu, do Paysandu-PA, que ocupa atualmente a quinta colocação da Série B.

Yago tem 23 anos e, apesar de jogar na lateral, tem fama de goleador. Já marcou mais de 50 gols com a camisa do Paysandu, ganhando o título de lateral-direito que mais marcou gols na história do clube paraense. Ele é um especialista em cobranças de falta e pênalti, de onde saem a maioria de seus tentos.

A primeira vez que Aidar tentou convencer o departamento de futebol da contratação de Pikachu foi com Muricy, no primeiro semestre. Naquele momento, o técnico já estava incomodado com a tentativa de interferência do presidente, com as informações que recebia da origem das negociações e se colocou contrário à vinda do lateral-direito. A situação se repetiu outras tantas vezes e Muricy chegou a chiar publicamente, sem citar o nome de Aidar nem uma negociação específica. Apenas que tinha de barrar muitos nomes.

Algo semelhante ao que aconteceu com Juan Carlos Osorio. Em uma entrevista coletiva pouco depois de cogitar pedir demissão por conta de uma mensagem de WhatsApp enviada por Aidar, o colombiano revelou que recebia sugestões de jogadores. Não chegou a citar o presidente, mas novamente era ele o autor da mensagem.

– Há meia hora, estava com Milton Cruz no vestiário, chegou Luis Fabiano, e mostrei a eles uma mensagem de uma pessoa do clube que oferece muitos jogadores. Falei que agora, em minha humilde opinião, o time precisa de um volante central. Estamos trabalhando com Thiago Mendes e Breno para essa posição. Centroavante, um Luis Fabiano mais jovem, por exemplo. De futebol e jogadores falam-se muitos. Minha responsabilidade é a parte esportiva. Neste clube há muito gente dando opiniões, demasiado. Quando alguém fala para mim que tem um centroavante muito bom, eu pergunto: “Sabe cabecear?”. Me respondem: “Não, mas é rápido”. Então, não precisamos – disparou Osorio, em agosto.

O veto dos técnicos às sugestões do presidente tinham caráter técnico, mas também desconfianças sobre a transparência das negociações e eram amparadas pelo vice de futebol Ataíde Gil Guerreiro. Na semana passada, quando deflagrou a crise que culminou na queda do ex-presidente, Ataíde levantou suspeitas sobre tratativas conduzidas exclusivamente por Aidar. Citou os casos da venda do lateral-direito Douglas ao Barcelona (ESP), do volante Denilson ao Al Wahda (EAU), e da compra de Wesley, que atuava no Palmeiras. Em todos os casos, não conseguiu barrar.

A falta de autonomia no departamento de futebol também vinha incomodado Aidar. A intenção do ex-presidente era entrar cada vez mais no setor. Por isso demitiu, em maio, o gerente-executivo Gustavo Oliveira, que nunca teve sua confiança. Para seu lugar, trouxe José Eduardo Chimello, que estava no Ituano e trabalhou com Aidar nos dois primeiros mandatos do dirigente no São Paulo, na década de 1980. O próximo passo seria a saída de Gil Guerreiro, mas a briga aconteceu antes e Aidar levou a pior.

Neste domingo, antes do empate por 2 a 2 contra o Vasco, no Morumbi, Ataíde voltou a citar os casos de transferências de jogadores e prometeu investigar a fundo as suspeitas contra Aidar. Ele disse a contratação do zagueiro Iago Maidana, do Criciúma, caracteriza corrupção do ex-presidente, assim como no contrato da Under Armour, em que teria tentado comissionar a namorada. O dirigente tem uma gravação em que supostamente Aidar admite as irregularidades e prometeu entregá-la nesta segunda-feira ao Conselho Deliberativo do clube.

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